Afinal o que fazes com as crianças?
Esta é a pergunta que mais vezes me fazem 🙂
A verdade é que nem sempre é fácil descrever o trabalho que é feito em poucas palavras 🙂
Eu dei o nome de Gestão das Emoções, porque acredito que quando desenvolvemos as nossas competências emocionais temos tudo o que necessitamos para gerir qualquer contratempo que nos surja no dia a dia. O que faço com as crianças é isto:
- Eu provoco situações “desconfortáveis” para que os possa ajudar a gerir no momento






E como faço isso?
- Utilizo dinâmicas/jogos/atividades que provocam divergências de opiniões, entendimentos
- Estou muito atenta a cada um deles
Quantas não são a vezes que tenho um plano para a sessão a realizar, mas a expressão de uma das crianças me faz mudar toda a estratégia e dar foco àquela necessidade.
Essa necessidade observada pode não estar sequer nas prioridades dos pais quando os inscrevem na atividade, no entanto é muitas vezes na linguagem não verbal que se esconde muitas fragilidades que devem ser olhadas com carinho.
e para quê?
✅ para que a criança se sinta bem, se sinta ouvida, se sinta importante e que faz parte
Quais os resultados das atividades/dinâmicas?
✅ treinar a autoconfiança ( perceber que dar a nossa opinião não pode fazer com que seja aceite ou não)
✅ treinar a escuta
✅ treinar a assertividade
✅ treinar o falar em publico (apresentação de trabalhos)
✅ treinar a capacidade argumentação
✅ treinar limites (aceitar que não pensamos todos da mesma forma e não é por um colega pensar de forma diferente que é melhor ou pior que eu)
✅ gerir conflitos
✅ gerir frustração (quando perco sempre)
✅ gerir autoestima elevada (fazer entender que se eu sou melhor num determinado campo, há outros que eu não domino tão bem)
✅ identificar as fragilidades e os pontos fortes de forma a tornar os resultados mais eficazes
✅ Trabalhar o Autoconceito – Desidentificação do “quem sou eu” aos olhos dos outros. Será que sou mesmo como me dizem que sou? quantas vezes não ouvimos desde criança ” Esta é a Maria, mas é muito tímida”, será que é mesmo?

Ainda que o tema da atividade seja o mesmo, ela é trabalhada de forma diferente em cada grupo. Os grupos no inicio são feitos de acordo com a idade e nas semanas seguintes, consoante vou conhecendo melhor cada um deles, vou agrupando consoante a maturidade emocional.
👉Trabalho com crianças dos 6 aos 14 – à qual chamo Atividade da Gestão das Emoções
👉Trabalho com crianças > 15 anos – à qual chamo Coaching com Adolescentes
É a partir dos 6/7 anos que as crianças começam a definir-se em termos psicológicos. É quando começam a definir o seu verdadeiro eu e como querem ser no ser no seu “eu ideal”.
No entanto, à medida que vão crescendo, vão interiorizando os padrões sociais de comportamentos e valores que em vez de os aproximarem do que querem ser, os afastam.
É urgente ajudar esta geração a saber quem são. A identificar o que gostam, o que sabem fazer e o que desejam fazer por si mesmos e não porque outras pessoas acham que seria melhor. Despertar a sua criatividade, despertar a forma de gerir os contratempos, treina-los a não desistir, a não procurar apenas os prazeres imediatos, fazer com eles o caminho, definir a meta e os passos para lá chegar.
Quantas não são as crianças que aprendem um instrumento, apenas porque os pais não tiveram essa oportunidade e agora querem proporcionar aos seus filhos.
Está errado? Não!
Mas… será mesmo que a criança é verdadeiramente feliz a tocar esse instrumento ou o faz com prazer para ser aceite pelos pais? A criança sabe que os pais têm imenso orgulho de a terem naquela atividade, que fazem um esforço financeiro e até de gestão de tempo para ela ter tudo o que precisa. E está tudo bem.
Mas e quando chegar o dia que aquela criança não quer tocar mais aquele instrumento? Terá ela a maturidade emocional suficiente de se assumir perante os pais sem ter medo que os pais deixem de a amar?
Aos nossos olhos parece fácil.
Mas no cérebro de uma criança não é. E pode trazer muito sofrimento na adolescência. Muito afastamento familiar, tão simplesmente porque a boa intenção dos pais pode não “satisfazer” a real necessidade dos filhos.
É um mundo maravilhoso, que percorro com muito amor.
O mundo depende de adultos conscientes e com maturidade emocional capaz de fazer escolhas conscientes e saudáveis para si e para os que os rodeiam.
Se cada um fizer a sua parte teremos um mundo melhor, mais leve, mais seguro e mais feliz.
A felicidade estampada no mundo de hoje não existe. É uma ilusão.
Se não aprendermos a valorizar o que realmente importa, viveremos com um vazio imenso incapaz de “satisfazer”.
Aqui sou feliz ❤️
Alexandra Leal dos Santos – NeuroCoach das Emoções e Terapeuta Comportamental

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